Financeiro

Cartão de crédito na obra: conciliar sem duplicar lançamento

Conciliar o cartão de crédito é casar cada linha da fatura com a despesa já lançada, sem criar um custo novo. Cartão na obra é prático, e é onde o financeiro mais duplica lançamento. A confusão nasce de contar duas vezes: a compra no dia e depois a fatura do cartão.

O cartão resolve a vida do mestre e do comprador: ferragem de balcão, combustível, almoço da equipe, peça que quebrou no sábado. Mas chega o fim do mês e a fatura de R$ 18 mil aparece sem que ninguém saiba de qual obra é metade daquilo.

Compra × fatura

A regra: a compra é o custo, vinculado à obra e à etapa; a fatura é só a forma de pagamento daquele conjunto de compras. Você lança as compras como despesa da obra e, quando a fatura fecha, faz a conciliação, casando as compras com a fatura, sem criar um lançamento novo de custo.

Quando a fatura é paga, as despesas ligadas a ela são quitadas juntas. No caixa, tudo sai no vencimento da fatura, que é quando o dinheiro de fato deixa o banco.

O roteiro do mês

  1. Lance a compra no dia, ou peça para quem comprou mandar a foto do cupom. Fornecedor, valor, obra, categoria e o cartão usado.
  2. Quando a fatura fechar, importe ou abra a fatura no sistema.
  3. Case cada linha com a despesa lançada. Valor e data próxima resolvem a maioria.
  4. Trate as sobras. Linha na fatura sem despesa: lance o que faltou. Despesa sem linha na fatura: provavelmente caiu na fatura seguinte.
  5. Atenção às parcelas. Compra em 6x aparece em seis faturas. É uma despesa parcelada, não seis compras.
  6. Pague a fatura escolhendo o banco de onde o dinheiro saiu.

Exemplo: a fatura de R$ 8.000

Números de exemplo. A fatura do mês fechou em R$ 8.000, com 23 compras. Ao conciliar:

SituaçãoLinhasValor
Casaram com despesas já lançadas18R$ 6.420
Sem despesa (combustível e almoço)4R$ 1.130
Parcela 3/6 de uma furadeira1R$ 450
Total23R$ 8.000

As quatro compras sem lançamento viram despesas, com obra e categoria. A parcela é ligada à despesa parcelada que já existia. Ninguém lança "fatura cartão R$ 8.000" como custo, porque esse custo já está nas 23 compras.

Regras para quem usa o cartão

  • Cada cartão tem um responsável. Cartão emprestado de mão em mão é compra sem dono.
  • Comprovante no mesmo dia. Foto do cupom e a obra escrita na legenda. Depois de uma semana, ninguém lembra para que foi aquele débito de R$ 247.
  • Limite por pessoa e por tipo de gasto. Combustível e ferragem de balcão sim; compra grande de material vai pelo fluxo de compras, com cotação.
  • Uma data fixa para conciliar, logo depois do fechamento, antes do vencimento. Dá tempo de contestar cobrança errada.

Natureza certa

Cada gasto no cartão tem uma natureza (material, combustível, alimentação) e uma obra. Classificar na hora evita a "fatura genérica de R$ 8.000" que ninguém sabe de onde veio. Cartão bem conciliado é rastreável até o item; mal conciliado, é um buraco no controle de custo.

Erros comuns

  • Lançar a fatura como despesa além das compras. O custo dobra.
  • Lançar só a fatura, sem as compras. O custo existe, mas não tem obra.
  • Misturar gasto pessoal do sócio com custo de obra. Separe como retirada ou pró-labore.
  • Contar o rotativo como gasto do mês. Juros de fatura atrasada são despesa financeira, não material.

O mesmo raciocínio vale para o extrato do banco, assunto do post sobre contas conciliadas.

Como fazer no Prumo

No Financeiro, presente em todos os planos, o cartão é cadastrado como conta de natureza Cartão de crédito, com limite, dia de fechamento e dia de vencimento. Em Financeiro > Cartões:

  • Importar traz a fatura do mês. Se o mês já tem pagamento lançado, use "Adicionar ao mês já lançado": entram só as linhas novas, e o que já estava fica intacto.
  • O botão de conciliar de cada item mostra Sugestões de despesas parecidas e Buscar despesa para uma lançada em outro mês. Um item pode ser dividido entre contas pelo rateio.
  • Várias compras pessoais podem ser ligadas a uma despesa só, como o pró-labore.
  • Pagar Fatura, escolhendo o banco, quita as despesas ligadas.

Itens sem classificação aparecem numa faixa do painel operacional, com o link Classificar, e o fluxo de caixa e a DRE contam a compra no vencimento da fatura. Veja os planos e o guia Financeiro.

Lançar a compra e a fatura é contar o mesmo gasto duas vezes. Concilie, não duplique.

Perguntas frequentes

Como lançar compra no cartão de crédito da empresa?

Lance cada compra como despesa, com fornecedor, categoria e obra, ligada ao cartão. A fatura não é uma despesa nova: ela é só a forma de pagar aquele conjunto de compras.

Por que o custo da obra dobra com o cartão?

Porque a compra foi lançada no dia e, depois, a fatura inteira foi lançada de novo como despesa. É o mesmo gasto contado duas vezes.

Em que mês a compra no cartão entra no caixa?

No fluxo de caixa, no vencimento da fatura, que é quando o dinheiro sai do banco. Como custo da obra, ela pertence à obra desde a compra.

O que fazer com compra no cartão que não tem nota?

Lance assim mesmo, com a obra e a categoria, e anexe o comprovante. O que não pode é ficar só na fatura, sem dono.

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