Técnico

SINAPI: o que é e como usar no orçamento de obra

A SINAPI é a tabela oficial de referência de custos da construção civil no Brasil, mantida pela Caixa e pelo IBGE. Todo mês ela publica, para cada estado, o preço de referência de milhares de insumos e de composições de serviços: quanto de material e de mão de obra entra em 1 m² de alvenaria, 1 m³ de concreto, 1 m de tubulação.

Ela é a referência de custo em obras contratadas com recursos públicos federais e é muito usada em obra particular como ponto de partida. A palavra importante é essa: ponto de partida.

O que tem dentro da tabela

A SINAPI se divide em duas partes que conversam entre si:

  • Insumos: materiais, mão de obra e equipamentos, cada um com unidade e preço de referência no estado e no mês.
  • Composições: a "receita" de um serviço por unidade. Cada composição lista os insumos (ou outras composições) com o coeficiente, que é a quantidade de cada um por unidade de serviço.

A composição analítica é a que mostra essa receita aberta. A sintética mostra só o código, a descrição, a unidade e o custo total. Para orçar com consciência, olhe sempre a analítica.

Como ler uma composição

Exemplo ilustrativo, com números redondos e sem código real, de uma composição de 1 m² de alvenaria de vedação:

ItemUnidadeCoeficientePreçoCusto
Bloco cerâmicoun13,5R$ 1,60R$ 21,60
Argamassa de assentamentom³0,012R$ 520,00R$ 6,24
Pedreiroh0,80R$ 24,00R$ 19,20
Serventeh0,40R$ 18,00R$ 7,20
Custo direto por m²R$ 54,24

Repare no que cada número quer dizer. O coeficiente de 0,80 hora de pedreiro por m² é uma produtividade média. Se a sua equipe assenta mais rápido ou mais devagar, o custo real é outro. O preço do bloco é o de referência do estado; o seu fornecedor pode cobrar mais ou menos.

Desonerado ou não desonerado

A tabela sai em dois regimes, que tratam de forma diferente os encargos sobre a mão de obra, conforme o regime de contribuição previdenciária da empresa. Escolher o regime errado muda o custo de todos os serviços com mão de obra. Use o regime em que a sua empresa está enquadrada e, se não souber qual é, pergunte ao seu contador antes de orçar.

Como usar no orçamento, passo a passo

  1. Escolha o estado, o mês e o regime da obra. Tabela de outro estado ou de um ano atrás dá preço velho.
  2. Ache a composição mais parecida com o que você vai executar, pelo código ou pela descrição. Leia a descrição inteira: espessura, tipo de bloco, altura.
  3. Abra a analítica e confira os coeficientes contra a sua experiência. Se você sabe que gasta mais argamassa, ajuste.
  4. Troque o preço de referência pelo seu preço de compra nos insumos que mais pesam no custo (os da classe A da curva ABC).
  5. Some o BDI por cima. A SINAPI é custo direto: administração, impostos, riscos e lucro vêm depois, no BDI.

E em obra particular?

Em obra particular ninguém vai exigir a SINAPI, e você é livre para usar os seus preços. Mesmo assim ela é útil de três jeitos:

  • Como receita pronta. Para um serviço que você faz pouco, a composição da tabela é um bom ponto de partida para saber o que entra e em que quantidade.
  • Como conferência. Se o seu custo de um serviço está muito acima da referência, vale entender por quê: preço de compra, produtividade ou desperdício.
  • Como linguagem comum. Quando um cliente, um banco ou um fiscal questiona um preço, mostrar a composição de referência ao lado da sua encurta a conversa.

Com o tempo, o ideal é que as suas composições próprias, calibradas pelo que você realmente gasta, passem a valer mais que a tabela.

Erros comuns

  • Tratar referência como preço de compra. A tabela é média. Em cidade pequena, longe de centro distribuidor, o material costuma custar diferente.
  • Usar a composição sem ler a descrição. A diferença entre dois serviços parecidos pode estar num detalhe, como a espessura da parede ou o tipo de argamassa.
  • Ficar preso a um mês antigo. Orçamento feito com tabela velha e obra executada meses depois é estouro anunciado.
  • Esquecer serviços que não estão na tabela. Nem tudo tem composição pronta. Para o que falta, monte a sua.

Como fazer no Prumo

A SINAPI fica na Biblioteca, disponível em todos os planos. Em SINAPI / DER você escolhe mês, UF e regime, busca o serviço pelo código ou pela descrição e abre a composição explodida, com cada insumo, coeficiente e preço. O botão Puxar traz a composição para o seu catálogo, com os insumos, e Atualizar traz o preço de um mês mais novo. A base é carregada pela plataforma todo mês; o administrador escolhe a UF, o mês e o regime da empresa em Base SINAPI. Depois de puxada, a composição pode ser ajustada e ligada aos seus insumos, para acompanhar o preço das suas compras. Detalhes no guia de composições e SINAPI e no post sobre composições de custo.

A SINAPI diz quanto custa um serviço médio. O seu orçamento precisa dizer quanto custa o seu.

Perguntas frequentes

O que é a SINAPI?

É o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa e pelo IBGE. Publica todo mês, por estado, preços de insumos e composições de serviços que servem de referência para orçamentos.

Qual a diferença entre SINAPI desonerado e não desonerado?

Muda a forma como os encargos da mão de obra são considerados, conforme o regime de contribuição previdenciária da empresa. Use o regime em que a sua empresa está enquadrada; na dúvida, confirme com o seu contador.

Posso usar a SINAPI em obra particular?

Pode, como referência de composição e de preço. Em obra particular ninguém exige a tabela, mas ela ajuda a montar e conferir composições. Ajuste coeficientes e preços para a sua realidade.

A SINAPI já inclui BDI?

Não. Os custos da tabela são custos diretos. O BDI, com administração, impostos, riscos e lucro, entra por cima para formar o preço de venda.

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